Egito

julho 28, 2009 at 2:57 PM (Historia da Arte) (, )

Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se desenvolveu no Egito, às margens do rio Nilo, localizada no norte da África. Bastante complexos em sua organização social e riquíssimos em realizações culturais, os egípcios produziam também uma escrita bem estruturada, graças a qual temos um conhecimento bastante completo de sua cultura. Jean-François Champollion decodificou em 1799 uma série de hieróglifos, constituindo assim a egiptologia. Sua aplicação serviu para a tradução e interpretação dos textos pintados e gravados em muros e esculturas dos templos funerários.
Podemos dividir a história do Egito em três períodos, antigo, médio e novo império:
• Antigo Império – 3000 a.C.
Capital: Memphis
Nesta época há a construção das grandes pirâmides: Djoser (pirâmide escalonada feita de pedra, que substitui o barro).
• Médio império – 2000 a.C.
Capital: Tebas
As grandes pirâmides deixam de ser construídas e passam a ser construídos apenas pequenos túmulos para o faraó.
• Novo Império – 1000 a.C.
Capital: Alexandria
Os pequenos túmulos deixam de ser construídos e passam a construir os Hipogeus.

O aspecto mais significativo da cultura egípcia é a religião. Tudo era orientado por ela, interpretando o universo, justificando sua organização social e política, determinando o papel de cada classe social e encaminhando toda a produção artística desse povo.
O faraó era considerado um ser divino que exercia completo domínio sobre seu povo e após sua morte, voltava a viver com os outros deuses, de onde viera. Para isso, eram construídas as pirâmides para a preservação do seu corpo e de sua alma, o que garantia a vida eterna, e todas suas riquezas. Acreditavam que havia três tipos de alma:
• O ‘KA’, força vital do Universo que acompanhava o corpo durante a vida e na morte.
• O ‘AHK’, verdadeira personalidade ou espírito que ia a moradia celeste.
• O ‘BA’, um tipo de espectro da pessoa que se deslocou e aparecia como fantasma.

Os egípcios utilizavam um método de embalsamento que impedia a desintegração do corpo, mas só isso não era o suficiente. Acreditavam que era necessária também a preservação de uma imagem do faraó. Assim, artistas que eram denominados “Aquele que mantém vivo”, faziam esculturas da cabeça do rei em granito. Essa imagem era colocada na tumba em um local onde ninguém a visse. O escultor captava somente as formas básicas da cabeça humana, excluindo todos os detalhes secundários como as expressões. Nem tão primitivas quanto as mascaras pré-históricas, nem tão fiéis a realidade como retratos naturalistas, essas cabeças impressionam pela combinação de regularidade geométrica e penetrante observação da natureza, que são a principal característica de toda arte egípcia. As esculturas substituíam também as pessoas como familiares, criados, exércitos… Que seriam enterrados junto do faraó nas pirâmides.

Cabeça 2551-2528 a.C. encontrada num túmulo em Gizé; calcário, altura 27,8cm

No Egito cultivou-se o politeísmo, e esses deuses eram meio animais, meio humanos (antropozoomórficos), como Hator, a vaca; Anúbis, o chacal; Hórus, o falcão protetor do faraó; Apis, o boi, além de outras divindades relacionadas aos fenômenos naturais.
A escrita no Egito teve funções bastante especificas:
• Hieróglifos – para inscrições oficiais e sagradas, gravadas em pedra.
• Escrita hierática – usada para se escrever documentos, na madeira ou papiro.
• Escrita demótica – a escrita popular.

Escriba sentado (cerca de 2500 a.C.)

A arte também tinha suas funções, era utilizada para divulgação dos preceitos e das crenças religiosas, sendo assim uma arte muito padronizada onde a criatividade e a imaginação não eram valorizadas. Os artistas egípcios foram criadores de uma arte anônima, onde deviam mostrar um perfeito domínio sobre as técnicas e não o estilo do artista.
Entre as regras existentes, uma que mais se destaca, dando a característica da arte egípcia é a Lei da Frontalidade, que era rigidamente obrigatória. Essa lei determinava que tudo devia ser representado a partir do ângulo mais característico, a cabeça mais facilmente vista de perfil era desenhada lateralmente, mas os olhos eram vistos de frente. O tronco era representado de frente e os braços e pernas
em movimento, porem vistos lateralmente. A representação não podia fazer alusão à realidade, deveria transparecer claramente que se tratava de uma representação.

Baixo relevo de um túmulo próximo de Sacará, cerca de 2500 a.C.

Busto de Nefertiti

Busto de Akhenaton

Na pintura, as figuras eram esculpidas ou feitas em alto, médio e baixo relevo nas paredes dos templos e túmulos, sempre seguindo a Lei da Frontalidade.
As esculturas eram principalmente religiosas, utilizadas para representar o faraó ou um nobre após sua morte. As esculturas eram naturalistas, revelando aspectos particulares de sua fisionomia.
Os bustos eram exclusivos dos faraós e sacerdotes, mas com o passar dos tempos, esse privilegio foi estendido para outros membros da sociedade, como os escribas. Era o principal retrato tridimensional.

As jóias eram feitas de outro, prata e pedras preciosas. Sua beleza é suficiente para percebermos a elegância e ostentação das cortes egípcias. As jóias serviam como talismãs para os membros da corte.

Pendente em ouro de Osorkon II, que representa uma tríade de deuses composta por Osíris (ao centro) Hórus e Ísis

Casas atuais no Egito. Registro da evolução da casa primitiva egípcia

Interiores Egípcios: o interior das tumbas e seu conteúdo nos revela muito sobre sua mobília. É conhecida principalmente a mobília do Novo Império, período principalmente marcado pela tumba de Tutankamon.
No Egito, assim como em todo mundo antigo, a mobília utilizada geralmente é muito pequena e disponível apenas aos ricos e raro até nos palácios.
As casas eram muito diferentes uma das outras, essa diferença dava-se de acordo com a situação econômica e social do proprietário. As cabanas dos trabalhadores raramente possuíam mobília. Os bancos e camas eram
feitas de argila e cobertos de junco ou de rolos de linho. Raramente havia mesas com acabamento rústico. O mobiliário não foi símbolo de riqueza no Egito.

Pátio de uma casa nobre no antigo Egito

As habitações mais sofisticadas tinham paredes grossas de argila cozida e jardins externos com árvores e lagos. A casa possuía uma parte central com pátio e a construção ao redor, esta área era bem arejada e também era usada como zona de estar principal. Os quartos ficavam virados para o Norte para que as pessoas pudessem dormir ao ar livre durante o verão. O teto era em madeira e as divisórias em tecido ou esteiras. As paredes em adobe eram coloridas por murais com temas da natureza.

Cadeira encontrada na tumba de Tutankamon em 1922. Novo império 1750 a.C.

A madeira era escassa no Egito, para o mobiliário geralmente conseguia-se pequenos pedaços que eram unidos juntos e atados por tiras de fibra ou couro úmido, que quando seco dava mais resistência aumentando a tensão. No Novo Império, ferragens de mobília aparecem na forma de dobradiças de metal, braçadeiras metálicas e alfinetes. O mobiliário desse período é formado por: arcas, tamboretos, camas, mesas leves e algumas cadeiras.
As caixas e cofres foram ganhando dobradiças com o tempo e seus interiores a ter divisões. Os painéis laminados foram usados na construção de sarcófagos. No Novo Império a decoração passou a ser mais elaborada. Os motivos eram de formas geométricas, animais e florais, os quais eram aplicados em uma variedade de modos. O gesso é utilizado como suporte para a folha de ouro e como fundo para as pinturas de parede, às vezes com cenas de bosque.

Banco em “x” com assento em tecido ou couro.

Os tamboretes, ou bancos, eram feitos de vime, trançado de talos de árvore do bosque ou papiro leve, com linho ou com pêlo nos assentos. Durante o Antigo Império foi acrescentado nos bancos a parte de trás e braços, especialmente nos troncos. No início os braços eram desajeitados e altos.
No Médio Império o banco (tamborete) dobradiço apareceu pela primeira vez. Seus pés em “x” eram desmontáveis com um parafuso de metal no ponto de cruzamento. Essas armações eram unidas por assentos de pele ou couro. As pernas em formato de “x” tinham acabamentos no formato de cabeça de pato, e algumas em patas de leão. A partir desse período as cadeiras tiveram seus encostos inclinados aumentando assim o conforto.

No Novo Império o assento mais comum era o banco quadrúpede, geralmente pintado de branco. Os pés dos bancos e cadeiras, agora tinham com mais freqüência seus pés com acabamento em forma de patas de leão. Almofadas e tecidos também eram utilizados.

Encosto da cadeira de Tutankamon, folhada a ouro e incrustações em pedras preciosas. Novo Império

As camas, a princípio, tinham armações baixas, retangulares com estrados de ripas de madeira, trançado de couro ou fibras. Muitas tinham pés esculpidos em forma de pés de touro. No Médio Império a altura da armação foi aumentada e as patas de leão substituíram as de touro, e sob os pés esculpidos, pequenas colunas cônicas protegem os pés de desgastes.

Suporte para repousar a cabeça

Algumas vezes os pés do lado da cabeceira eram colocados mais altos criando um declive para o pé.
No Novo Império as camas eram muito mais altas, fazendo-se necessário um bocó de ascensão sob a cama. A inclinação na armação desaparece e o fechamento da peseira também. A cabeça descansava sob um suporte separado, colocado na armação da cama e a forragem do colchão era de linho.

As mesas eram muito pequenas e delicadas, planejadas apenas como suporte de objetos de luz. Construídas em formato de caixa com os pés mais longos e em quantidade de três ou quatro. Os tabuleiros de jogos eram compostos de uma caixa com uma gaveta, diferenciando assim das mesas. As caixas de artigos de toaletes eram compostas com gavetas.

Tabuleiro de jogos

No Egito antigo o mobiliário era geralmente confeccionado com madeira dos bosques locais, principalmente com as árvores de figo, acácia e tamarisco. Já as madeiras de cedro, cipreste e junípero eram importadas da Síria. Também utilizavam madeira negra, importada do sul, ocasionalmente metais preciosos, marfim ou outros materiais de luxo. Papirus e outras fibras eram utilizadas nos assentos, e as forragens eram de algodão e linho.

Caixa para guardar objetos pessoais

Trono de Tutankamon - séc 14 a.C.

Elementos decorativos:
• Coroas: o Egito se constituiu em dois reinos: Baixo Império e Alto Império. Os tributos faraônicos são numerosos. Distinguem-se a coroa vermelha do Norte, a coroa branca do Sul e o Pschent que assimila a reunião dos dois reinos.

• Hórus: o falcão, senhor do céu, cujos olhos simbolizam a Lua e o Sol, é um dos aspectos do Rá (o sol), representado por um disco vermelho.
• Uraeus: outro aspecto de Rá, a serpente pode destruir como o Sol pode igualmente consumir

• Escaravelho: ou Khepri, empurra diante de si o disco solar em seu curso diurno. É um símbolo de renascimento e de vida.
• Hátor: deusa da música, do amor e da alegria, aparece sob o aspecto de uma vaca ou figura humana com chifres e orelhas. É encontrada com seus atributos nas colunas hatóricas.
• Baixos-relevos: as paredes da maioria das construções são cobertas de hieróglifos e de baixos-relevos, frequentemente talhados em depressão.

Capitel hatórico

Características arquitetônicas:
O Egito é um dos mais antigos núcleos arquitetônicos. Em suas construções predominam as linhas horizontais e os telhados são sempre em terraço. Vigor e estabilidade são as principais características dessa arquitetura.
• Mastaba: na arquitetura funerária, é o tipo de tumba mais antigo. De pedra ou tijolo, tem o aspecto exterior de um maciço alongado com paredes em rampa.
• Pirâmide: aparece principalmente no Antigo Império, é então de degraus, mas tarde tendo as paredes lisas.
• Hipogeu: outro tipo de tumba subterrânea escavada nas falésias como as do vale do Nilo ou as do Vale dos Reis.
• Pilones: a entrada dos templos é protegida por dois maciços trapezoidais chamados “pilones”. Chega-se a eles por um caminho de esfinges (dromos). Essa entrada é precedida dor dois obeliscos e estátuas reais. As superfícies murais são ornadas de baixos-relevos e de mastros com longas bandeirolas.
• Templo: entra-se primeiramente num pátio rodeado de colunas (Edfu: C). Em seguida vem a sala hipostila (H), que dá acesso por diferentes salas ao santuário onde se encontra a estátua do deus. A altura das salas ia diminuindo, criando uma obscuridade crescente.

• Suportes: a ordem protodórica marca a diferença entre pilar e coluna. A coluna palmiforme é inspirada na palmeira. Na coluna lotiforme, o fuste reproduz vários caules atados por um laço enquanto o capitel representa um ramo de lótus com corolas fechadas. Os caulículos intercalados entre os caules são botões recentes. O fruste da coluna papiriforme (do papiro) é igualmente fasciculado, desta vez em arestas vivas. Quando as umbrelas estão abertas, o capitel é chamado de campaniforme.

Capitéis: Protodórico e Palmiforme. Colunas: Lotiforme, Papiriforme e Campaniforme.

Outras Imagens:

Esfinge do faraó Quéfren - séc 27 a.C.

Grande pórtico do Templo de Ísis em Filias, Núbia. A estrutura é relativamente simples, mas não há um capitel igual.

Máscara funerária de Tutankamon.

Pintura na câmara tumular de Nefertari, mulher de Ramses II.

Templo de Filae em assuão.

Templo de Hatchepsut.

Pequeno templo de Abu-Simbell dedicado à deusa Hator.

Templo de Abu-Simbell, na Baixa Núbia

Templo de Abu-Simbell, na Baixa Núbia.

Pirâmides de Gizé.

Pirâmide de Djoser, em Sacará - séc 23 a.C.

Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, no deserto de Gizé - séc 22-21 a.C.

Templo da rainha Hatshepsut, Deir el-Bahari, início do séc 15 a.C.

Uma tríade de Menkauré.

Segundo sarcófago de Tutankamon

O deus com rosto de chacal Anúbis supervisionando a passagem do coração de um morto, enquanto à direita o deus mensageiro Toth, com cabeça de íbis, anota o resultado - 1285 a.C.

Mural do túmulo de Khnumhotep 1900 a.C.

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