Aula 12 Iluminação: a luz adequada para cada ambiente e os novos equipamentos
Aula 12 – Iluminação: a luz adequada para cada ambiente e os novos equipamentos, por Baba Vacaro e Guinter Parschalk
Lição 1 – O planejamento da luz certa para cada ambiente
A primeira providência a ser tomada quando se quer iluminar os espaços da casa é avaliar que tipo de atividade ocorrerá ali: trabalhos que exigem precisão – cozinhar, passar roupa, estudar, maquiar-se, barbear-se -, momentos de lazer – assistir TV, ler, escutar música – ou receber socialmente. Também deve ser levado em conta o tempo que se pretende permanecer nesse lugar. Em seguida, eleja o que há de bacana na decoração e na arquitetura que mereça ser valorizado com a iluminação. Com esses dados em mãos fica mais fácil partir para o projeto específico de cada ambiente. No entanto, vale lembrar que iluminar é quase uma equação – não muito simples – e que por isso contar com um especialista faz diferença. Hoje, é possível contratar bons lighting designers, profissionais que geralmente trabalham em parceria com os arquitetos. Muitas lojas de iluminação também oferecem consultores treinados para auxiliar no desenvolvimento do projeto. Além de demonstrarem as diferentes maneiras de se iluminar um espaço, eles ainda fornecem as melhores alternativas de acordo com a planta do ambiente ou indo pessoalmente ao imóvel.
• Salas de estar e jantar: estas são áreas que requerem flexibilidade na iluminação. Elas precisam ser confortáveis tanto nas horas intimistas, quanto nos momentos de confraternização entre amigos. O ideal é contar com uma luminosidade tênue e difusa. Comece pelos pontos centrais, responsáveis pela luz geral do ambiente, aquela que apresentará o espaço como um todo, além de ser útil na utilização do dia-a-dia e na limpeza. Sobre a mesa de jantar, um lustre é imprescindível. Em seguida vêm os spots de facho localizado, que desenharão e destacarão os recortes da arquitetura, bem como estantes, quadros, mesas de centro, entre outros itens. Finalmente, distribua os abajures e as luminárias de piso, incorporando-os na linguagem do projeto. Essa claridade mais baixa e em tom rosado ilumina o rosto das pessoas, conferindo uma aparência saudável aos presentes. A utilização de dimmer nas salas é bastante indicada, pois garante a quantidade de luz adequada para cada ocasião.
• Quarto: aqui também é preciso ter uma iluminação geral para atender as atividades básicas, como limpeza, se movimentar entre os móveis e ter acesso ao interior dos armários. Quando dimerizada, essa luz torna-se adequada também para ler ou assistir TV antes de dormir. Para esse conforto, pode-se contar ainda com um abajur na mesa de cabeceira. Em quartos de casal a situação se complica caso marido e mulher tenham hábitos diferentes. Se um gosta de ler à noite e o outro não suporta o menor ponto de claridade na cama, a saída é apostar em luminárias com braço flexível, que localizam a luz somente sobre o objeto de leitura.
• Banheiro: além da luz geral, este espaço requer atenção extra com a iluminação da área da pia, onde fica o espelho. Banheiros de casal precisam ai ter flexibilidade. Isto porque o homem necessita de uma luminosidade mais chapada e uniforme para barbear-se. Já a mulher requer excelente reprodução de cor devido à maquiagem e cuidados com o cabelo. Tecnicamente, a melhor maneira de iluminar a bancada é a chamada luz de camarim, que clareira todo o perímetro do rosto, evitando sombras. Feito com uma série de lâmpadas incandescentes bolinha, distribuídas por toda a volta do espelho, o recurso tem inconvenientes, pois esquenta e ofusca o usuário. Para acompanhar o conceito, eliminando seu lado desconfortável, uma solução é adaptar luzes atrás do espelho, algumas voltadas para cima, de maneira que possam rebater no teto, e outras dirigidas para baixo. Nas laterais, use arandelas, localizando-as de forma que não invadam o campo visual de quem está na pia. É importante salientar que essa solução só funciona em ambientes com revestimentos claros.
• Closet: esqueça o jeito mais tradicional de iluminar esse espaço, isto é, instalando vários spots no centro do teto, voltados para os lados. Isso não funciona, porque ao acessar as roupas, você fará sombra a elas. Existem meios mais correto para se ter uma luz homogênea e uniforme. Um deles é investir em luminárias com uso específico para o interior de armários, iluminando individualmente os nichos. Outra opção é instalar lâmpadas de forma continua ao longo do centro do teto, ou então, localizar no forro, próximo à marcenaria, equipamentos assimétricos, cujos focos fiquem direcionados para a parte interna dos módulos. Em todos esses casos, a lâmpada mais indicada é a fluorescente. Saiba que hoje já existem modelos com 98% de índice de reprodução de cor.
• Cozinha: geralmente esse ambiente é entregue com apenas um ponto de luz central, o que não é suficiente, uma vez que aqui a maior parte das atividades é periférica. Não adianta intensificar a potência da lâmpada, porque quando a luz parte do meio do espaço, quem circula pelo local acaba fazendo sombra nas laterais. O ideal é dividir a iluminação em até três pontos isolados, conforme a configuração arquitetônica. Sobre a pia é preciso ter uma luz que gere contraste para facilitar a limpeza dos alimentos, louças e panelas. Já na área do fogão, a maior parte das coifas vem com lâmpadas halógenas, que suportam calor e têm excelente reprodução de cor. Procure sempre usar dimmer, isso contribui para baixar o consumo.
• Área de serviço: uma iluminação geral, feita com lâmpada fluorescente, é o bastante para dar qualidade luminotécnica ao espaço. Para poupar energia, recomenda-se usar luminária que receba duas lâmpadas, as quais podem ter circuitos desmembrados e assim ser acionadas individualmente, conforme a necessidade. Dimerizar também ajuda a economizar na conta de luz.
• Escritório: avalie o tipo de atividade do local. Se o trabalho acontece basicamente no computador, pode-se ter uma iluminação mais baixa, pois o monitor emite luz. Já quem lida com papel precisa de um ambiente bem mais claro. O recomendado é ter uma iluminação geral no plano de trabalho, nunca no centro do teto, e uma luminária de mesa articulável. Evite lâmpadas que provoquem calor, como as incandescentes e as halógenas.
• Corredor: uma das maneiras para se conseguir luminosidade homogênea é distribuir uma luz geral ao longo do centro do teto. Outra forma é usar spots duplos voltados apenas para as paredes. Sancas ou rasgos lineares no forro, ambos empregando lâmpadas fluorescentes, também dão resultado. Vale lembrar que linhas luminosas longitudinais enfatizam o comprimento do corredor, enquanto luzes não contínuas encurtam visualmente o ambiente.
Lição 2 – Dossiê das lâmpadas
Conhecer todas as lâmpadas disponíveis no mercado é missão quase impossível. Por isso, reunimos as mais populares e usadas atualmente.
• Incandescente: a mais antiga e tradicional das lâmpadas é tida como vilã no consumo de energia. Há inclusive um movimento mundial – Ban The Bulb -, que visa exterminá-la do planeta. No entanto, há certo exagero na questão. Para começar, trata-se de um equipamento de baixo impacto ambiental, pois leva em sua composição apenas vidro e metal, ambos recicláveis. Apesar de ser gastona, num espaço de pouco uso, como despensas ou louceiros, ela é a opção mais econômica que há. Tecnicamente falando, possui o menor rendimento luminoso, mas ainda nenhuma outra lâmpada conseguiu reproduzir sua acolhedora luz amarelada.
• Halógena: também não é das mais eficientes, mas está uma geração a frente das incandescentes. Da sua família fazem parte as dicróicas, as PAR e as refletoras AR. De dimensão pequena, trabalha por incandescência, ou seja, possui o mesmo filamento de tungstênio de sua irmã mais velha, porém em seu interior há um gás que melhora sua eficiência. Por exemplo, uma incandescente gera de 14 a 18 lumens* por watt **, enquanto uma halógena gera entre 20 a 25 lumens por watt. Recentemente, foi lançada uma nova versão desta lâmpada. Trata-se de um bulbo esférico com metalização à base de ouro e prata, tratamento que permite que a radiação infravermelha, responsável pelo calor, volte para o filamento. Dessa forma, ela permanece com a mesma temperatura, porém consumindo menos energia. Uma lâmpada dessa de 35 watts equivale a uma normal de 50 watts, cerca de 20% a mais em eficiência. Há ainda uma outra versão dessa lâmpada, desenvolvida por um fabricante brasileiro. Aproveitando a estrutura da incandescente, com sua rosca de diâmetro 27 cm, foi introduzida dentro do tradicional bulbo em formato de pêra uma lâmpada halógena. Com isso, um modelo de 30 watts pode proporcionar luz equivalente a uma incandescente de 55 watts, além de ter um ciclo de vida maior, até 10 mil horas, contra as mil horas das incandescentes. Todas as halógenas são consideradas lâmpadas quentes.
• Fluorescente: desenvolvida no final dos anos 1930 para áreas de trabalho, está hoje entra as mais econômicas do mercado. As convencionais são tubulares, desde as mais grossas até as bem finas, estas lançadas recentemente. O modelo T5 é o de maior sucesso, pois tem 24 mil horas de vida, três vezes mais que sua antecessora, a T8. Sua temperatura de cor é bastante variada, indo do super branco até os amarelados. Também faz parte da família a T2, equipamento de 8 mm de diâmetro, há muito usado nos aviões. Entretanto, devido ao seu bom rendimento e luz suave, tem sido empregada para destacar detalhes da arquitetura e do mobiliário. Fininha, ela pode ser adaptada numa estreita canaleta e iluminar um móvel por baixo, bem como ficar oculta atrás da cabeceira da cama ou do criado-mudo. Mais conhecida no uso residencial, a fluorescente compacta se apresenta em luminárias específicas e também em modelos eletrônicos, aqueles que possuem corpo redondo de plástico com rosca de 27 cm, que podem ser usados nos mesmos soquetes das incandescentes. Com rendimento luminoso quatro vezes maior que as incandescentes e durabilidade bastante longa, essas lâmpadas precisam de refletores de alto brilho e ventilação. Fechadas dentro de luminárias elas queimam com facilidade.
• LED: esta é a mais recente tecnologia em termos de iluminação. Seu tamanho diminuto permite várias configurações, desde fitas finíssimas com cerca de 10 mm de largura e 3 mm de espessura, até produtos que lembram as lâmpadas bolinha. Todas de baixo consumo energético e ciclo de vida de 50 mil horas. Existem ainda os modelo similares às dicróicas, com diversas potências, configurações e cores. Podem ser usados em spots, proporcionando luz localizada. No entanto, sua potência é inferior à dicróica: é preciso três LEDs para chegar ao pacote de luz de uma halógena. No geral, todo LED funciona com 12 volts***, portanto requer um transformador específico. Não adianta querer usar o transformador da halógena, este não trabalha na mesma frequência e rapidamente queimará a lâmpada. Produto caro, o LED, também chamado de luz sólida, é fácil de ser dimerizado e se apresenta em quatro tonalidades bem precisas: vermelho, verde, azul e âmbar, que podem ir se alternando gradativamente.
• Catodo frio: pouco conhecida no Brasil para uso na arquitetura, esta lâmpada mescla o antigo néon com a tecnologia da fluorescente. Tem cerca de 40 mil horas de ciclo de vida e apresenta uma gama de mais de 50 cores – só o branco tem cerca de 9 temperaturas diferentes. De formato tubular, possui várias espessuras e pode ser modelada quente sob medida. Bastante econômica, é, porém, um produto de preço alto.
* Lumen (LM) – é o fluxo luminoso, a quantidade de luz emitida pela lâmpada.
** Watt (W) – representa a quantidade de energia consumida pela lâmpada – sua potência – e não sua intensidade de luz.
*** Volt (V) – é a tensão do local ou a energia que a lâmpada foi projetada para receber. Em alguns locais é 110, em outros, 220.
Lição 3 – Efeitos especiais
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Veja a seguir as principais técnicas para conseguir criar impacto com a luz. Todas elas requerem projeto e planejamento durante a obra, uma vez que sua execução exige infra-estrutura elétrica.
• Iluminação de destaque: feita por meio de spots com focos fechados embutidos no teto, ela enfatiza objetos decorativos e recortes da arquitetura, estabelecendo uma hierarquia de valores às peças.
• Wallwash: é produzido por luminárias assimétricas com refletores e lâmpadas tubulares contínuas, que “lavam” de luz a parede de forma uniforme, sem vazar para o teto ou piso. Indicado para realçar superfícies com quadros ou texturizadas.
• Up light: trata-se de uma iluminação que saí de baixo, ideal para valorizar coberturas. O recurso, também muito usado no paisagismo, tem efeito instigante, uma vez que nosso cérebro, de acordo com a natureza, está programado para perceber a luz vinda de cima, e o contrário gera um ponto de vista diferente.
• Luz integrada: hoje, com a tecnologia da miniaturização e do baixo índice de calor das lâmpadas fluorescentes, halógenas e leds, está cada vez mais confortável integrar a iluminação à arquitetura de interiores. Assim, é tendência usar luzes atrás da cabeceira da cama, embaixo do sofá ou da mesa, bem como explorar detalhes arquitetônicos com lâmpadas embutidas na alvenaria.
• Linear: ainda dentro da integração com a arquitetura, pode-se destacar os rasgos feitos entre o forro e a parede, descolando estas partes da alvenaria e dando a impressão de que um raio de luz natural entrou no ambiente. Esta mesma técnica é usada atrás de cortinas, proporcionando volume ao tecido, e também em prateleiras de estantes. Nesses casos é possível usar chapas refletoras com lâmpadas incandescentes, de preferência, dimerizadas. No entanto, isso demanda rasgos largos. Se quiser algo mais discreto, a dica é empregar lâmpadas xenon, que não só ocupam menos espaço, como têm melhor rendimento. Ideais para prateleiras sobre bancada ou em cortineiros, essas lâmpadas vêm encaixadas em práticos perfis de alumínio. Uma terceira alternativa é a fita de LED. De espessura bastante fina e baixíssimo consumo de energia, esse equipamento oferece lâmpadas nas cores âmbar, vermelho, azul e verde, que podem funcionar de forma isolada, ou serem programadas para se alternarem.
Lição 4 – Improvisos que dão certo
Se foi impossível planejar a iluminação com antecedência, se você não pretende passar muito tempo morando onde está ou vai dar uma festa e quer um clima especial na sala, existem alguns truques para não gastar muito e conseguir um bom resultado luminotécnico. Comece pela iluminação indireta, espalhando algumas luminárias tipo coluna, que jogarão a luz para o teto, deixando o ambiente mais luminoso. Para contrabalançar com um pouco de dramaticidade, use abajures a meia altura com cúpula de tecido. Fazendo as vezes dos spots embutidos no forro, responsáveis pela iluminação focal, entram as luminárias de mesa com haste flexível, que podem voltar o facho para cima ou para baixo, ou então iluminar algum objeto, criando zonas de interesse. Nesse caso, lâmpadas incandescentes são as melhores.
Você pode usar também um pequeno abajur com lâmpada dicróica dentro de um vaso. O facho de luz definido irá gerar uma sombra interessante da copa da planta no teto, proporcionando um efeito de claro e escuro bastante agradável. Existe ainda, uma luminária, também à base de dicróica, que projeta um relógio analógico no teto ou na parede. É a Timebeam, criada pelo Sudio Dominici.
Velas também são bem-vindas. Com sua sombra trepidante, quando usadas isoladamente incomodam, mas se formarem conjuntos, asseguram uma atmosfera romântica por cerca de 8 horas.
Lição 5 – Luminárias: as jóias da iluminação
Hoje, mais do que nunca, esses produtos estão suportados por diversas tecnologias para torná-los atraentes e sofisticados tanto no que diz respeito à eficiência, quanto a emoção que transmitem. Há cerca de meio século, os designers de luminárias priorizavam mais a função do que a beleza e faziam questão de expor a tecnologia usada no objeto. Um bom exemplo é a Bubble Lamp, uma série de luminárias criada em 1952 pelo americano George Nelson. Feitas a partir de um plástico desenvolvido para cargas marítimas e estrutura aramada de aço, tornou-se um ícone da época. Outra peça emblemática é a Tizio, desenhada nos anos 1970 pelo alemão Richard Sapper. Primeira a usar a pequena lâmpada halógena e funcionar sem fio, ela tem um surpreendente sistema de contra-peso que lhe confere desenho elegante, porém frio.
Já as luminárias do século 21 investem no emocional, refletindo a tendência do consumidor, que prioriza produtos atraentes, deixando a função de iluminar para os equipamentos escondidos na arquitetura. O que se vê de mais novo são produtos embasados por alta tecnologia, mas que parecem ter sido feitos à mão, um a um para cada ambiente. O resultado são luminárias que beiram a obras de arte, repletas de poesia. Os materiais também surpreendem. Nesta última Euroluce, feira bienal de iluminação, que ocorre em Milão, Itália, entre os destaques estavam as criações de David Trubridge, designer da Nova Zelândia que trabalha com madeira recortada a laser.
Usar recursos artesanais é outro viés da modernidade e para citar apenas um nome importante nessa área, vale destacar o inglês Angus Hutcheson. Morando na Tailândia, esse designer só usa materiais renováveis, como casulos de seda, galhos de árvore e rattan. Suas luminárias são é de baixo impacto ambiental e carregam uma grande carga emocional.
Aula 11 Cozinhas e Banheiros do nosso tempo
Aula 11 – Cozinhas e Banheiros do nosso tempo, por Consuelo Jorge
Lição 1 – Cardápio das novas cozinhas
O prazer de passar mais tempo em casa com a família e de receber os amigos para uma refeição preparada com carinho pelos anfitriões tem mudado a geografia dos ambientes. As salas estão ficando maiores e polivalentes e as cozinhas passaram a fazer parte delas. Crescem os pedidos de por abaixo as paredes e transformar a área social num grande núcleo de convívio, em que se pode conversar, assistir TV, trabalhar e, por que não, cozinhar. Assim, uma vez que a cozinha virou parte integrante da área nobre da casa, é preciso caprichar ainda mais no seu visual. Os equipamentos podem continuar a adotar a famosa distribuição triangular formada por fogão, pia e bancada de trabalho ao longo das paredes. No entanto, quando a idéia é lidar com as panelas sem perder o contato com o pessoal na sala, o melhor recurso são as ilhas. Além de permitirem que o chef cozinhe voltado para o estar, esses móveis instalados no centro do ambiente facilitam a circulação, agilizando o preparo dos pratos. Tentador, não é? Mas saiba que nem todas as cozinhas aceitam esse tipo de layout. Para se ter uma ilha, é preciso contar, no mínimo, com 1 metro livre em torno dela. Dessa forma, mesmo quando as portas dos eletrodomésticos estiverem abertas, o fluxo não será comprometido. Cozinhas quadradas são perfeitas para isso, já as retangulares devem ter peças mais estreitas. O importante é que funcionem como grandes mesas em que, além do fogão, encimado por uma bonita coifa, e uma pia de apoio, também haja espaço para servir os pratos. Vale lembrar que para haver conforto, o fogão deve estar a 90 cm do piso e a bancada de refeição, a 75 cm, o que significa que esse móvel deverá ter duas alturas. Uma sugestão é fazer a parte da cocção em aço inox e o restante revestido com o prático Corian. Sob a bancada, ao lado do fogão, um armário com gavetas para guardar temperos e os utensílios especiais do mestre-cuca é sempre útil. Mas, se sua cozinha não tem área suficiente para uma ilha e você não pretende ampliá-la avançando para algum ambiente vizinho, não desanime. Hoje já existem ilhas móveis, geralmente peças de aço inox com rodízios, feitas sob encomenda, que podem circular inclusive por outros lugares, como terraço e jardim. Quem opta por cozinha integrada deve ter em mente que terá que conviver com os aromas dos alimentos, mesmo se na hora do preparo das refeições o espaço for isolado por portas de correr. Essas portas não funcionam como barreira para o cheiro (que pode ser amenizado com uma coifa potente com exaustão externa), no máximo elas ajudam a esconder a bagunça típica de toda cozinha em funcionamento. Madeira e vidro escuro são os materiais mais usados nos modelos corrediços.
Integrada ou não na sala, uma cozinha bem projetada deve contemplar a praticidade. Para começar, os revestimentos precisam ser fáceis de limpar. Atualmente, os mais cotados nesse quesito são o aço inox e o Corian, que têm ainda a vantagem de combinar com muitos outros materiais também indicados para áreas molhadas, como pedras e madeiras tratadas. Usados nas bancadas, eles podem subir pela parede e criar práticos frontões altos, bem como prateleiras úteis para livros de culinária e outros artigos menores. Quanto aos armários, evite modelos muito altos e profundos. Além de comprometer o visual da cozinha, eles dificultam encontrar as coisas, fazendo com que se esqueça do que foi guardado. O ideal é que a marcenaria fique na altura dos olhos de forma linear, incluindo o nicho para o forno (para cozinhar, use um cooktop na bancada). Nessa posição, fica mais confortável acompanhar a evolução dos assados e bolos. Portas basculantes, abertas para cima, facilitam ainda mais o acesso aos itens. Esmere na decoração, distribuindo sobre os módulos objetos de design interessante. A nova geração de armários conta com alta tecnologia nas ferragens e nos amortecedores de portas e gavetas e ainda possui excelente aproveitamento interno, o que quer dizer que com menos peças é possível armazenar muito mais e de forma que tudo fique à mão. Uma tendência forte são as torres: estruturas que vão do piso ao teto com porta única de material leve, como vidro. Nelas, se pode distribuir de tudo: louças, mantimentos, acessórios… Na hora de apanhar alguma coisa, é só abrir e tudo está à vista. Outro aspecto que facilita a rotina é o bom fluxo na cozinha. A dica é investir em eletrodomésticos de tamanho compatível à área disponível. O que não é difícil, pois hoje o mercado oferece uma grande variedade de modelos. Embuti-los em nichos na alvenaria, onde também uma TV de plasma é bem-vinda, ajuda ganhar área livre. A lava-louça pode ficar sob a bancada da pia, dividindo espaço com gavetões munidos de compartimentos para pratos, garrafas e potes. Contar com a orientação de profissional ou de empresa especializada pode ajudar bastante no dimensionamento do ambiente. Lembre-se que se trata de um lugar onde normalmente mais de uma pessoa trabalham juntas e ambas necessitam de folga para executar suas tarefas.
Ainda dentro do tema, é preciso mencionar as cozinhas de apoio. Uma mão na roda quando a sala íntima fica num andar diferente da cozinha principal, esse espaço pode ser resolvido apenas com armários. Como se trata de um suporte para preparar um chá, esquentar alimentos para o bebê ou aquecer algum prato pronto, o recomendável é equipá-lo com frigobar, forno de microondas e gavetas para louças, talheres e saches de chá. Tudo isso pode ficar no mesmo móvel do home theater, isolado por portas de correr.
Lição 2 – Acessórios: os guardiões da ordem
Quando a conversa chega à cozinha, estilo importa tanto quanto funcionalidade. A seguir você descobre uma turma que não dá chance à bagunça.
Torre de plugagem: peça com três ou quatro tomadas para ser embutida na bancada. Ideal para ligar vários equipamentos ao mesmo tempo.
Porta-mantimentos e bebidas: são gavetas munidas de compartimentos específicos para temperos, laticínios e garrafas, entre outros itens. Prático, evita a desordem dentro dos armários.
Canto retrátil: prateleiras com ferragens para serem adaptadas nas quinas dos armários. Confere aproveitamento total dos interiores.
Gaveta-faqueiro: forrada de feltro, possui divisórias para organizar os talheres e acessórios usados em ocasiões especiais. Aposenta os estojos grandalhões, que roubam espaço precioso dentro do armário.
Divisórias para talheres: ajudam a manter em ordem dentro da gaveta os itens usados no dia-a-dia. De inox, podem ser retiradas e lavadas na lava-louças.
Gavetas sobrepostas: trata-se de gavetões com medidas especiais que possuem compartimentos retráteis menores destinados a acessórios de pequeno porte. Excelentes para cozinhas compactas.
Coleta seletiva: lixeiras específicas para até quatro tipos de lixos diferentes. São encontradas nas versões de inox e plástico. Dica: para resíduos orgânicos instale um triturador na pia.
Barras de apoio: réguas de metal para serem instaladas sobre a bancada. Vêm com ganchos e suportes para o papel-toalha, utensílios e temperinhos. De design discreto, elas incrementam a decoração da cozinha.
Gaveta gourmet: sonho de consumo de quem é apaixonado por culinária, ela reserva os acessórios mais imperativos para a prática. Acompanha cerca de quinze itens de inox, tudo devidamente acondicionado.
Tábua de corte com balança: um luxo que todo chef quer ter. Trata-se de uma prancha de Corian com uma balança de precisão embutida. De visual atraente, a peça faz bonito exposta sobre a bancada.
Suportes para pratos e travessas: estruturas metálicas que se adaptam conforme o tamanho do prato ou travessa. O bacana é que podem ser retiradas de dentro do gavetão e levadas à mesa.
Lição 3 – De banheiros a salas de banho
Com os revestimentos certos, a iluminação e as cores adequadas, o banheiro se transforma em um dos espaços mais aconchegantes da casa. A grande pedida hoje é integrá-lo ao quarto, preservando apenas o vaso sanitário num compartimento reservado, com porta pivotante (ocupa menos espaço). Já a banheira, graças aos novos modelos soltos, muitas vezes tem marcado presença ao lado da cama, compondo com a decoração do dormitório. Quem ainda prefere as embutidas, o conselho é instalá-las sob o chuveiro, o que torna o banho mais prático. Espaços com essa configuração geralmente são cercados por paredes de vidro. Para impedir que sua luminosidade interfira no quarto, pode-se usar persianas rolôs ou contar com um sistema automático que torna opaca a superfície envidraçada por meio de comando eletrônico. Em banheiros de casal, as bancadas com cuba dupla viraram item de primeira necessidade. Assim como boxes com duas duchas (que tal essas de cromoterapia, instaladas no forro?) e armários e nichos na alvenaria setorizados para marido e mulher. Outro luxo bem-vindo é a TV de plasma.
Quanto aos armários, é importante que eles tenham espaço suficiente para tudo o que é necessário no dia-a-dia: toalhas, rolos de papel higiênico, cremes, perfumes, xampus e acessórios de higiene e beleza. Para acondicionar a roupa suja, uma boa pedida são os carrinhos. O mesmo vale para os itens de maquiagem. Você pode criar um canto confortável no banheiro, com direito à iluminação especial e poltrona macia para maquiar-se, e localizar o volante aí. Já escovas e pastas de dente, pentes, pincéis de barbear, entre outros, ficam bem guardados em nichos sobre a bancada da pia, ocultos por portas espelhadas. Medicamentos devem ficar em armários fechados à chave.
Em relação aos materiais para piso, parede e bancada as escolhas são muitas. Desde o sofisticado mármore, como o branco, o piguês ou o calacata, até produtos mais básicos, como pastilha cerâmica no piso e no rodapé (3 cm de altura é a tendência) e pintura texturizada no restante da alvenaria (dê preferência às usadas em fachadas, resistentes à umidade). Paredes revestidas de vidro colorido e de espelho também estão em alta. Para o boxe, portas de vidro são as mais recomendadas. Se quiser um visual bem limpo, use modelos pivotantes, que giram sobre eixos tubulares, dispensando ferragens.
No lavabo a ordem é apostar nas cores claras e caprichar na cuba. Para tanto, são inúmeras as possibilidades. Uma delas é usar uma placa de mármore com o lavatório esculpido e usar o mesmo material no rodapé. Outra opção são as cubas prontas, encontradas em diversos materiais. Geralmente importadas, essas peças proporcionam contraste chique sobre tampos de madeira de demolição ou de vidro. Pisos de mármore e de madeira são os mais recomendados. Procure seguir o acabamento do living, isso dá sensação de amplitude. Mas se não for possível, escolha sempre um revestimento mais nobre para o chão do lavabo. Para as paredes, papel e espelho são ótimas escolhas. A iluminação deve ser suave. Fica agradável usar LEDs indiretos dentro de nichos na alvenaria e no rodapé e complementar com um foco mais forte sobre o espelho.
Lição 4 – Para viver de modo sustentável
Morar em sintonia com o meio ambiente é hoje uma das questões mais instigantes. Pois saiba que muito se pode fazer a respeito na hora de projetar o banheiro. É possível, por exemplo, abastecer a bacia sanitária e o chuveiro com água de reuso. Para tanto, são necessárias tubulações que levem a água usada dos lavatórios, da banheira, do tanque e da máquina de lavar roupa para um centro de tratamento. Ali, filtros biológicos e anaeróbicos, bem como um sistema de cloração e desinfecção, se encarregam de purificar a água, que será bombeada para os sanitários e duchas. O ideal é que essa bomba e também os chuveiros funcionem com energia solar. Isso requer a instalação de placas solares no telhado. Para garantir um banho agradável nos dias nublados, é importante contar com um backup à gás, que é acionado automaticamente sempre que a temperatura do boiler cair. O custo inicial deste investimento – placas solares, tubulações e bombas fotovoltaicas – é mais alto do que uma obra convencional. Porém, estudos mostram que com a economia na conta de luz e água, em cinco anos o retorno é garantido.
Aula 10 Salas de estar e jantar com estilo
Aula 10 – Salas de estar e jantar com estilo, por Fábio Galeazzo
Aula 1 – As salas e suas diferentes funções
Até pouco tempo, não mais do que 10 anos, era comum pais e filhos se isolarem em seus quartos, equipados com toda a parafernália necessária para tornar a permanência agradável, porém solitária. Hoje, as coisas mudaram. A família está cada vez mais voltada para as áreas sociais da casa e, assim, esses espaços passaram a absorver novas atividades, atendendo a necessidade de um convívio maior. A TV foi a primeira que chegou na sala, porém agora, o aparelho é muito mais do que um monitor que apenas exibe a programação. Ele também funciona como porta-retrato para as fotos digitais, juntou-se ao canto de trabalho – mais um que migrou para o living – na função de tela do computador e, nos dias de festa, alegra os convidados com shows e espetáculos. Por isso, sua localização deve ser bem estudada, de forma que a TV possa ser vista de qualquer ângulo do ambiente. Outra presença que chegou com tudo foi a adega, uma releitura dos antigos bares. Com até três deles – um para cada tipo de vinho -, o equipamento passou a fazer parte da decoração. Estar e cozinha também se integraram e para fazer a ponte entre os dois ambientes, a tendência é instalar a mesa de jantar. O recurso dinamiza o dia-a-dia e reforça a convivência. Nas novas ambientações, é por aqui que geralmente ficam as estantes. Sim, a biblioteca saiu de seu isolamento e passa a fazer parte da área nobre da casa, criando cenários acolhedores com suas prateleiras repletas de livros.
Multifuncionais, as salas precisam ser práticas e para tanto pedem tecidos duráveis, macios ao toque e resistentes, principalmente ao senta e deita nos sofás. O couro envelhecido e todos os tecidos de trama fechada são boas opções, pois não ficam marcados com o uso, preservando por mais tempo sua aparência original. Destes últimos fazem parte os naturais, produtos sustentáveis que ao serem descartados se integram à natureza sem poluir o meio ambiente. Além do conhecido algodão, há novidades interessantes no mercado. Uma delas são as lonas de caminhão, que estão sendo trabalhadas para adquirir maior maciez. Artigo rústico de descarte, elas criam um contraponto agradável em ambientes contemporâneos. Outra sugestão atual é o veludo com fibra de bambu. A tecnologia faz com que o tecido não fique quente no verão, possibilitando sua elegância inclusive em casas de praia.
Aula 2 – As tendências para decorar
Dar ares de obra de arte a determinadas peças do mobiliário é um recurso muito apreciado nos projetos atuais. A idéia é customizar alguns móveis, fazendo com que estes tragam emoção aos espaços. Por exemplo, pode-se tirar partido de uma poltrona usando um tecido bem colorido, proveniente de um rico trabalho artesanal. Ou então, forrá-la com retalhos emendados, numa combinação livre. Aquele móvel trazido na mudança também pode virar destaque se receber uma pintura especial ou uma demão de verniz brilhante. A sala de jantar perderá a sisudez se você apostar em cadeiras de épocas distintas e customizá-las de formas diferentes (estampas ou cores diversas). Tais interferências imprimem bom humor e personalidade à decoração, afinal revelam seu gosto pessoal. Já para dar apoio ao bar, a tendência é fugir do obvio. Escolha uma peça étnica, mineira ou algo como um gaveteiro industrial. Itens assim passam a ser o foco de atenção do ambiente, gerando surpresa e admiração. O pulo do gato é integrá-los aos novos móveis, para criar um mix de materiais, origens, texturas e cores bem-vindo à casa contemporânea.
De acordo com o movimento chamado de Novo Luxo, a ordem é ter ambientes decorados com tudo aquilo que é importante para o morador. Ou seja, se o hobby predileto é a leitura, uma boa poltrona não pode faltar na sala, muito menos livros e revistas. Dessa forma, além da tradicional estante, nada impede que uma pilha de livros e revistas fica a mostra sob a mesa, ou então que os exemplares se organizem numa caixa ao lado do sofá. Aos que curtem coleções, o conselho é deixá-las à vista. Para mantê-las limpas e organizadas, procure criar nichos onde as peças fiquem protegidas por tampas de vidro. Outra idéia é encomendar caixas de acrílico com fundo de palha para espalhar os itens colecionados sobre os móveis. Já se você é admirador de fotografia, idealize álbuns com capas atraentes e os deixe à mão para compartilhar também com os amigos.
Aula 3 – Móveis que não podem faltar
No dinamismo das salas de hoje, peças multifuncionais são itens de primeira necessidade. Entre estas estão os que os franceses chamam de petit mobile: mesinhas de canto que fazem ainda as vezes de assento e banquinhos que podem circular pelo ambiente. Também imprescindíveis são os móveis-ilha, aqueles que além de agregar várias funções, ajudam a organizar com rapidez o ambiente. São peças fechadas, do tipo cômoda, em que cada morador conta com um espaço interno para guardar suas coisas do dia a dia, como bolsa, material escolar, pasta, etc. O ideal é que fiquem localizados junto à entrada social. Que tal um móvel étnico colorido, com o tampo enfeitado por porta-retratos, vaso de flor e bandeja com taças e bebidas? O conjunto ficará mais charmoso ainda se você usar na parede algo contrastante, como uma fotografia abstrata em preto-e-branco, focando uma cena bem contemporânea. Uma antiga rádio-vitrola pintada de cores vibrantes também é atraente: além de prático aparador para o telefone, seu espaçoso interior pode ser aproveitado inclusive como bar.
Aula 4 – Como compor o mobiliário e os objetos decorativos
A decoração da sala pode ter uma proposta externa ou interna. No primeiro caso, quem dita a disposição dos móveis é a vista bonita da janela ou da varanda. Tudo tem que estar distribuído de forma que se possa admirar a paisagem do lado de fora e nada deve impedir que a luz natural circule pelo espaço. A boa luminosidade, por sinal, permite abusar das cores escuras e de materiais com texturas mais densas, como a madeira, principalmente as de demolição, e a palha que, quando iluminadas naturalmente, criam um belo efeito de luz e sombra ao ambiente. Mas se o visual externo não tem nada de interessante, a solução é eleger um elemento focal para o cômodo e a partir dele distribuir o restante do mobiliário. Tal elemento pode ser desde uma mesa de centro ou a TV, até um móvel especial, como um pufe, onde ficam expostos os livro mais queridos. Por exemplo, uma lareira com desenho diferenciado, instalada entre as salas de estar e jantar, funciona como um belo foco centralizador, ajudando na localização dos móveis.
Um detalhe importante na hora de decorar salas integradas é atentar para o equilíbrio. Se um espaço for mais carregado em termos de cores, texturas e acabamentos, o ambiente seguinte deve necessariamente ter um visual mais tranquilo, com estofados de tonalidade neutra e tapetes de padronagem uniforme. Quer dizer, se área do jantar tiver paredes escuras, o ideal para o living são sofás brancos e tapetes crus.
Junto à adega, um móvel baixo dá bom apoio. Nas prateleiras de vidro, fechadas por portas, você pode guardar as taças e os apetrechos de bar. No tampo, uma coleção de vasos de formatos, tamanhos e procedências diferentes rende um belo conjunto que, visto de longe, forma um horizonte com nuances claras e escuras.
Quanto às paredes, vá com calma na hora de preenchê-las. O bacana é sempre deixar alguns espaços livres, cerca de 30%, a espera de novas peças que poderão vir de uma próxima viagem. Dessa forma, um quadro não precisa necessariamente estar pendurado. Experimente apenas apoiá-lo na parede, sobre um móvel ou no piso, perto ou longe dos demais. De repente você descobrirá o melhor lugar para ele. O truque ajuda ainda a dinamizar a decoração, pois sempre haverá alguma coisa inédita no espaço.
Procure enfeitar o hall de entrada ou a primeira parede que se vê ao entrar na casa com objetos queridos – presentes de amigos, lembranças de viagem, desenhos dos filhos… A proposta é expô-los em molduras do tipo porta-retrato, para que possam ser sempre trocados, como numa galeria particular.
Aula 5 – Integração parcial… Será?!
Antes de se decidir por portas de correr que isolam os ambientes quando preciso, responda a pergunta: quantas vezes elas serão fechadas? Saiba que a maioria dos espaços integrados permanece praticamente o tempo todo unido. Se você curte cozinhar participando do movimento da família e dos amigos na sala, não há razão em investir num item como esse. Por outro lado, se há pessoas em casa que gostam de assistir TV num canto mais silencioso, aí sim, uma porta corrediça faz sentido. Por via das dúvidas, sinta o dia-a-dia da casa e só depois avalie se a integração parcial é realmente necessária.
Aula 9 Cores na Decoração
Aula 9 – Cores na Decoração, por Antonio Ferreira Jr.
Lição 1 – Rumo certo para orquestrar matizes
O esquema cromático de uma decoração pode partir de dois pontos: da arquitetura (apenas uma ou todas as paredes) e do mobiliário. Quando se opta pela arquitetura, antes de chamar o pintor, é imprescindível que se façam testes de tinta na alvenaria. Isto porque a luz natural e artificial do ambiente geralmente altera a tonalidade que se vê na lata. Para não se arrepender com o resultado final, o ideal é escolher na cartela de cores os três tons próximos do matiz desejado e aplicá-los na superfície de maior incidência de luz. E por falar em iluminação, vale lembrar que as lâmpadas incandescentes e halógenas, com seu brilho amarelado, interferem muito pouco na aparência das cores, muitas vezes até as valorizando. Bem diferente do que acontece com as lâmpadas fluorescentes que, devido a sua luminosidade branca, interferem negativamente no esquema cromático do ambiente. Quando se determina que a cor virá da parede, uma dica valiosa é dar preferência aos tons fechados, como um vermelho, um verde ou um laranja escuros. Essas nuances recebem muito bem todas as demais cores. Ainda é preciso destacar que paredes coloridas têm o poder de despertar emoções e criar ilusão de ótica. O verde-piscina, o verde-água e o azul-claro são tons que tranquilizam. Já os vibrantes vermelho e laranja tendem a tornar os espaços mais dinâmicos. Para disfarçar paredes muito longas, nada melhor do que usar matizes escuros em suas extremidades, que também podem ser aplicadas em tetos altos, tornando-os visualmente mais baixos.
Definida a cor da parede o passo seguinte é aproximar da faixa pintada o maior número de amostras possível dos materiais que se pretende usar na decoração: madeiras, tecidos, tapetes, entre outras. Seguro de que há harmonia nas escolhas, eleja o elemento mais importante do espaço. Para maior entendimento, vamos supor que estamos lidando com o living. Nesse caso, a peça primordial pode ser o sofá, a mesa de jantar ou um grande tapete. Se a cor eleita para esse item tiver tonalidade quente, o mais prudente é pensar nos demais elementos da decoração seguindo a mesma temperatura cromática. Assim, um sofá marrom fará ótima companhia para poltronas de tom laranja, cor essa que necessariamente deverá aparecer em outros tópicos do ambiente, como obras de arte e objetos. Nesse esquema cabe ainda uma terceira cor, um vermelho, por exemplo, que pertence a mesma família das demais.
Outra forma de levar cor à decoração é por meio do mobiliário. Neste caso, as paredes ficam neutras e são os móveis, tapetes, objetos e todos os demais elementos fáceis de serem substituídos que aquecem o lugar. Quer um exemplo legal? Use na mesa de jantar cada cadeira de uma cor e vista o sofá com um tecido cujas listras mesclem quatro tonalidades diferentes, do laranja ao vermelho com pitadas de grafite. Almofadas turquesa arrematam o conjunto, tonalidade que pode se repetir num quadro ou outra obra de arte. Também dá bom resultado combinar lustre, quadros e cadeiras. O amarelo sobre o fundo branco da alvenaria rende efeito interessante.
Lição 2 – Para não desafinar no tom
Um dado que deve ser sempre lembrado é que o universo das cores é imenso. Todas elas têm inúmeras nuances, sendo algumas fáceis e outras nem tanto na hora de combinar. Mesmo porque, as cores primárias são as mais ingratas para se trabalhar. O amarelo puro, o azul puro e o vermelho puro são como água e óleo, jamais se misturam. Essas tonalidades podem surgir no máximo em pontos isolados do ambiente, mas nunca como predominantes. O mesmo vale para as cítricas que, além de não dialogarem com outras cores, tendem a se tornar cansativas num curto período de tempo. O conselho, então, é dar preferência aos tons variantes. A seguir, você acompanha combinações testadas e aprovadas.
• Para esquentar visualmente a sala, na parede cor rato (cinza variando para o bege). Contrastando com a tonalidade fechada da alvenaria, o sofá tem tom cru. Um colorido mais vibrante entra nos demais objetos. Aqui, o vermelho e o laranja são bem-vindos. No entanto, não se prenda à regras, quando o assunto é cor, muitas licenças poéticas são permitidas. Assim, se você aprecia o verde-água ou algum tom cítrico, vá em frente com os objetos. O importante é que a mistura lhe traga emoção e não resulte numa composição muito gritante. Não tenha medo de testar combinações, quando se sai da zona de conforto dos tons pastel, quase sempre a decoração se torna mais alegre e personalizada.
• Esta proposta ousada provou sua eficácia na Casa Cor deste ano: paredes verde-musgo acolheram com harmonia e vibração móveis e objetos nos matizes turquesa, laranja, variações de verde-água e azuis escuro e royal.
• Outra parceria pouco usual, porém amigável: nas paredes, o grafite e o melancia (variação do vermelho) se alternam. Combinando com eles, objetos em tons de laranja e turquesa.
• Ao contrário do que se acredita, quadros de colorido forte perdem a expressividade quando pendurados em paredes brancas. Para valorizá-los, a dica é pintar a alvenaria de cores como rato, grafite, cinza e marrom ou bege escuros.
• Ambientes pródigos em iluminação natural podem se tornar claros demais se toda a alvenaria for branca. A saída para torná-los aconchegantes é pintar uma ou duas paredes com tonalidades que filtram a luz, como marrom, turquesa e cinza escuro.
• Para quem quer algo mais abusado, sem perder o bom gosto, esta é uma boa opção: paredes em tom turquesa ou verde-piscina, tapete cinza e móveis e objetos oscilando entre marrom e vermelho.
• Quando alguma variação de vermelho é a cor principal do espaço, o ideal é que a mesma tonalidade apareça novamente, por exemplo, nas duas poltronas ao lado do sofá e na estampa do tecido que reveste alguma almofada e os assentos das cadeiras da mesa de jantar.
• Para combinar com o tom rato, as melhores escolhas são o magenta escuro, o vermelho-melancia e o laranja.
• Eis um conjunto afinado: amarelo-gema na parede, preto ou marrom-café no sofá e objetos em nuances de laranja ou turquesa.
Lição 3 – Cores em alta
Cor nunca sai de moda, o que acontece é que algumas de tempos em tempos se sobressaem. Este ano, no Salão de Milão os destaques foram os turquesas e os verdes claros e escuros. Cuidado! Não é porque essas tonalidades são a bola da vez que podem ser usadas indiscriminadamente. Para empregá-las com critério, o correto é combiná-las com matizes próximos ou com suas variantes, como o marrom escuro, laranjas, vermelhos e amarelos. Os verdes ditados pela tendência também ficam harmoniosos ao lado dos azuis.
Outro movimento atual é a migração das cores para elementos que até então primavam pela neutralidade. Estamos falando de bancadas de pia, gabinetes de cozinha e banheiro, além dos eletrodomésticos. Hoje, os brancos, pretos, cinzas e marrons dos mármores e granitos estão sendo substituídos pelos bordôs, vermelhos-melancia, azuis, verdes, amarelos e laranjas de materiais modernos, como o silestone e o limestone. Mais coloridas nos revestimentos e equipamentos, cozinhas e banheiros pedem atenção às paredes. Procure usar tonalidades que se contraponham de maneira harmoniosa com essas cores ou, então, aposte no branco.
Aula 8 Tecidos e Tapetes
Aula 8 – Tecidos e Tapetes, por Neza César
Lição 1 – Tecidos em boa parceria
Combinar estampas deixou de ser ousadia. A casa moderna pede dinamismo e a mistura de tecidos se encaixa como uma luva nessa nova postura. Um bom exemplo é a safra mais recente dos veludos ingleses e franceses, cuja pioneira a revelá-la na decoração foi a marca londrina Designers Guild. Os cortes têm a textura do veludo apenas nos desenhos em relevo, que podem ser os mais variados, como floral, listrado, com arabescos ou medalhões. Trabalhar o ambiente com sua gama de cores fica chique. Como se trata de tecidos nobres e caros, a fórmula é misturá-los com opções mais simples. Tais veludos podem ser usados com parcimônia num pufe, nas almofadas ou numa cadeira estilosa e deixar para o sofá um pano mais liso, numa cor básica e de preço inferior. As sedas e toda a gama de tecidos de algodão também são ótimos para criar parcerias. Ricos em estampas, esses tecidos proporcionam combinações bacanas. É possível, por exemplo, escolher um floral e misturar sua variada cartela de cores – uma para as cadeiras, outra para as poltronas e uma terceira para o sofá. Coordenar floral com tweed é mais uma alternativa válida. A moda também empresta estampas primorosas para a casa. Entre elas estão os desenhos clássicos de ícones dos anos 1970, como Chanel e Courréges. São toques que enobrecem qualquer projeto. Nessa mesma linha, acabam de ser lançados os tecidos batizados de alta costura da decoração. São peças bordadas à ouro e com pedras preciosas e semi-preciosas, que beiram obras de arte. Ficam deslumbrantes formando quadros na parede ou forrando almofadas. Por outro lado, existem os charmosos tecidos brejeiros, com suas padronagens de flor, poás, listas e xadrezes. São os chamados caipiras brasileiros, protagonizados pela alegre chita. Misturá-los num ambiente pode render atmosfera acolhedora. E, se quiser algo mais arrojado, que tal colocar um deles ao lado de um brocado bordado à ouro? Pode acreditar, dá certo. O importante ao casar estampas é pinçar uma cor e repeti-la em todos os tecidos. Isso garante harmonia visual.
Os tecidos funcionam ainda como uma excelente ponte entre o passado e o presente. Fica charmoso revestir móveis modernos com antigas padronagens francesas, inglesas ou orientais. O mesmo acontece quando se usa um revestimento atual numa peça antiga. Isto porque, não existe moda para tecidos. Aqui, vale o estilo de cada um. Portanto, não se prenda a padrões e muito menos tenha receio em investir no que acha bonito. Se quiser usar veludo ou seda nos estofados e almofadas da varanda, vá em frente, mesmo que saiba que com o tempo eles irão desgastar. Afinal, tudo na vida tem prazo de validade. Também não se desfaça de nada que lhe agrade. Aquela almofada velhinha e querida pode render uma composição divertida ao lado das mais novas. Bem como o sofá confortável pode migrar para outro ambiente, ganhar almofadas atuais e se tornar destaque outra vez. Na dúvida, procure um profissional. Ele mostrará como dar nova história às boas peças que você possui e orientará sobre como compô-las com os tecidos de hoje. É importante salientar, que nada é tão eficiente para mudar com rapidez o visual da decoração, quanto simplesmente trocar o revestimento do sofá. E não é preciso investir muito. Pode-se usar um tecido básico e incrementar com almofadas bonitas. Compor o conjunto forrando o pufe ou a poltrona com uma estampa que repita o tom do sofá ajuda ainda mais a marcar a mudança. Seguindo o raciocínio do reaproveitamento, vale lembrar o sucesso do patchwork. É possível criar lindas estampas reunindo as sobras guardadas dos tecidos usados na decoração, bem como de nossas roupas, ou ainda comprar os retalhos em lojas. Atualmente, muitas ONGs se especializaram na arte. E só levar os recortes e encomendar colchas, almofadas, edredons e peças inteiras para revestir os estofados. O patchwork tem passe livre tanto em ambientes descontraídos, quanto nos luxuosos. Dica chique: reúna retalhos de diferentes tamanhos de sedas puras, tecidos bordados e sáris indianos. Outra maneira de personalizar a decoração é apostar nas estampas digitais. Sem gastar muito, você consegue idealizar qualquer desenho nas mais diferentes cores e depois transferi-los para qualquer tipo de tecido.
Apesar de não haver regras, algumas texturas se portam melhor em determinados usos. Para sofá, o veludo é uma das mais gostosas opções. Macio, ele aumenta sua sedução quando usado em cores fortes, como beaujolais (tom do vinho francês), azul-marinho, caramelo, vermelho, turquesa e verde. A seda dublada também é excelente. Dessa forma, o tecido tem um forro que lhe dá firmeza na forração de estofados. Sem essa proteção, a seda esgarça. Em salas de uso intenso, a dica vai para a sarja peletizada. Farta na cartela de cores, é delicada na aparência, mas aguenta bem às exigências do dia-a-dia. Tecidos grossos, como jacquard e gobelim, são indicados para poltronas, bancos e almofadas grandes. Áreas que recebam muito sol, como terraço, podem contar com as duráveis e ecológicas lonas de caminhão. O produto atualmente recebe tratamento para deixá-lo com toque agradável e se apresenta em várias nuances, dos beges aos cinzas, até os bem coloridos. O couro ecológico – tecido que reproduz com fidelidade a pele animal – resiste bem ao relento. Muito usado em barcos, é também ideal para as espreguiçadeiras da piscina e do jardim. Fácil de manter – basta pano úmido -, tem ainda a vantagem de oferecer várias tramas, cores e visual, alguns até com aparência envelhecida. Em cortinas fluídas, linho lavado, viscosi e seda têm o melhor caimento. Capriche no comprimento: o bonito é deixá-las arrastando pelo menos 10 cm no piso. Para garantir a elegância, costure chumbinhos dentro da barra. Já no forro solto, opte pelo voal ou pela seda fina. Leves, eles proporcionam nuance agradável à cortina e não vedam totalmente a luz natural.
Lição 2 – O toque mágico dos tapetes
A primeira lição é: nunca se desfaça dos bons tapetes que você possui. Saiba que um persa ou um turco antigos convivem muito bem ao lado de produtos contemporâneos, como os de náilon feitos sob encomenda com espessuras diferentes. Procure ainda conservar os tapetes que lhe tragam boas lembranças e aqueles que você comprou com todo carinho numa viagem. Além de essas peças fazerem parte de sua história, trata-se de uma atitude engajada nos princípios da sustentabilidade. Para combinar com seus tapetes antigos, você pode apostar ainda nos atuais nepaleses, tibetanos e indianos. Consideradas curingas na decoração, essas belas criações geralmente se apresentam em tonalidades e estampas fáceis de se incorporar ao ambiente. Seus listrados, ora em ton sur ton, ora mesclando fios de tecidos diferentes, conferem visual agradável ao piso. Eles também fazem um bom casamento com os modelos supermodernos. Na Casa Cor deste ano, a suíte em homenagem à apresentadora Ana Hickmann mostrava um lindo exemplar nepalês em tom celadon, com desenhos de flor de lótus em dourado-palha, que, com suas delicadas nuances, harmonizava-se com a proposta contemporânea do projeto. Outro tapete que aceita qualquer companhia e faz bonito tanto em decorações neutras, como em coloridas, é o atraente hemp. Com textura semelhante ao linho, suas tonalidades tendem para o dourado seco, que lembra o brilho da seda, e para os tons de fendi e das areias do deserto.
Hoje, o dourado é uma tendência forte, mas a cor se apresenta com discrição, misturada na trama do tapete, como se insinuasse um toque de preciosidade. Fica sofisticado, por exemplo, misturar fios bordô e dourado, o resultado remete ao elegante tweed. Ainda na ordem do dia estão os listrados e suas inúmeras variações: bicolores, tricolores, multicolores e com linhas não tão retas, como se tivessem sido traçadas por um artista. Colocá-los junto de uma cadeira especial ou de um pufe revestidos de veludo clássico, rende mistura bacana, perfeita para dar estilo e personalidade à decoração. O pulo do gato aqui é escolher uma cor para o estofado que também pertença ao listrado. Os clássicos ambusson franceses estão ganhando uma nova versão. Produzidos na Turquia, os tapetes continuam com suas padronagens de flor e arabescos, porém não mais em tons pastel. Os atuais vêm em cores fortes, como bordô, verde e preto lavado. Experimente usá-los ao lado dos listrados de ton sur ton ou com tramas de fios diferentes. A composição é bem interessante. As estampas digitais também chegaram com tudo. Agora é possível encomendar desenhos a artistas plásticos e depois passar o trabalho para o tapete. Ou então buscar padronagens emblemáticas do mundo fashion, como as das marcas Pucci e Gucci e reproduzi-las na íntegra ou de forma estilizada. Uma saída pouco dispendiosa para se obter uma peça assinada, com status de obra de arte. Para os mais alternativos e sob medida para casas de praia, há os tapetes de palha tramada com fios de PVC colorido.